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“Bem sei que tudo podes, e nenhum dos Teus planos pode ser frustrado”.

Jó 42:2

Vivemos uma época de muitas incertezas: o “como será o amanhã? responda quem puder” da tão bem sucedida canção da MPB revela claramente o espírito do momento. Incertezas quanto ao cenário político e econômico é preocupante. Os desafios sociais, como a violência urbana, o terrorismo no ocidente, as doenças do homem moderno, como a depressão, são apenas alguns dos sintomas que tem roubado do ser humano a capacidade crer. O cenário se torna mais grave ainda quando esta incerteza se instala na comunidade cristã e, particularmente se torna muito pior, quando a dúvida está presente no coração daqueles que professam a fé em Deus. A exemplo disso encontramos no livro de Jó verdadeiras declarações de fé que foram proferidas em meio às mais dolorosas e perturbadoras perdas pessoais. Esta reflexão se propõe a demonstrar que é possível preservar a fé e a comunhão com Senhor em meio ao sofrimento.

Jó enfrentou uma das mais dramáticas experiências que uma pessoa pode viver. No começo do livro vemos Satanás colocando em dúvida seu caráter e sua integridade. Em seguida nosso adversário investe contra seus bens e, posteriormente, contra sua saúde. Repentinamente Jó perdeu todos as suas posses, enfrentou a terrível dor de sepultar seus filhos, e uma grave doença passou a fazer parte de sua existência. Começava então a tentativa de procurar explicações para o fato de Deus permitir o sofrimento na vida de uma pessoa justa e reta. Apareceram amigos acusando-o de pecado, acrescentando assim um pouco mais de sofrimento ao servo de Deus. Porém, nem tudo é desastroso na vida de Jó. Apesar de ter perdido aquilo que podemos considerar como coisas básicas e essenciais na vida de uma pessoa, em meio a todas aquelas perdas Jó conseguiu preservar a maior das riquezas que o ser humano pode possuir: a fé no Deus Todo-Poderoso!

O Livro de Jó não narra apenas os dramas pessoais que ele viveu. Destaca também os brados de fé e de convicção que foram preservados na alma daquele homem. Do mais profundo de seu interior podemos ouvir o cântico de uma fé inabalável. Pretendo, portanto, destacar ao menos três destas declarações:

JÓ POSSUÍA UMA CONVICÇÃO PESSOAL
“Bem sei eu” – Satanás, de forma muito perspicaz, fez uma acusação a Jó no começo do livro. A acusação era a de que ele vivia uma vida piedosa por interesses pessoais, pois desfrutava de certas bênçãos na vida material. Alguns especialistas no AT afirmam que o problema do mal não é o único tema abordado no livro de Jó. Muitos defendem que o livro traz consigo questões em torno da motivação que leva uma pessoa a servir a Deus. Desta maneira vemos que Satanás acusou Jó de praticar uma adoração interesseira, mesquinha e mal intencionada. Mais tarde Jó viria a responder a esta acusação infame com uma declaração extraordinária: “ainda que Ele me mate eu esperarei Nele” (Jó 13:15). Muitos líderes hoje parecem não se preocupar com os propósitos em seus corações quanto ao serviço que prestam ao Senhor e ao povo de Deus. Há muita gente servindo a Deus com a motivação errada, buscando notoriedade, fama, e riqueza. Por outro lado encontramos cristãos usando a fé apenas como moeda de troca, meramente por interesse nos favores divinos, buscando unicamente as bênçãos de Deus, desprezando, contudo, ao Deus das bênçãos. Sem contar nos templos lotados, nas campanhas em massa para aprender a ‘conquistar o impossível’. Essa estratégia empregada por muitas igrejas tem produzido um cristão inconsistente, que não tem compromisso com os valores espirituais do reino de Deus. Tem produzido não um discípulo verdadeiro, mas uma espécie de ‘sócio da fé’, onde este investe um pouco de seu tempo indo a uma igreja, participando de certas campanhas, para que isto, ao final, lhe traga benefícios e favores travestidos de ‘bênçãos’. Um tipo de crente que não possui firmeza espiritual, pois não tem raízes em Deus. Sua fé se baseia nas conquistas materiais que procura encontrar na igreja. Quando vem as dificuldades esse falso discípulo se revolta contra Deus, se frustra espiritualmente, e se afasta do caminho que ele nunca quis percorrer realmente: o caminho da Cruz. É a fé pela fé. Jó, portanto, nos mostra que um verdadeiro discípulo do Senhor tem suas raízes fincadas em um Deus que, embora permita a dor e o sofrimento, ainda assim é digno de todo o louvor e adoração.

JÓ POSSUÍA A CONVICÇÃO DE QUE DEUS ESTÁ NO CONTROLE DAS CIRCUNSTÂNCIAS
Deus está cuidando de você! “Eu sei que o meu Redentor vive…” (Jó 19:25). Embora não enxerguemos na maioria das vezes, o Senhor está conosco em meio às tormentas que atravessamos. Enfermidades, crises na família, na vida pessoal, enfim, vivemos sob o constante risco avalanches contra nossa vida. Contudo, em meio à calamidade pessoal, Jó declarou sua confiança no controle soberano de Deus: “Bem sei que tudo podes”. Sempre que pensamos no poder de Deus nós o imaginamos como sendo um agir divino para afastar de nós o perigo. Não é isto que as Escrituras nos ensinam. O Senhor age desta maneira em algumas ocasiões. Noutras, Ele permite que o mal nos sobrevenha. E onde estaria, portanto, o poder de Deus quando permite o mal sobre nós? O poder de Deus está se revelando em nosso interior. Preservando nossa paz, fortalecendo o nosso caráter, levando-nos a conhece-Lo mais de perto, intimamente. Quantos cristãos passaram por experiências traumáticas, e mesmo assim se tornaram mais fortes e melhores, aperfeiçoados. Paulo em meio a uma experiência complexa orou ao Senhor buscando livramento da mesma. A resposta que ouviu de Deus foi diametralmente oposta ao que pediu. O Senhor lhe disse apenas: “a minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Desta maneira podemos afirmar que o poder de Deus nos livra do mal, mas às vezes também nos livra em meio aos males que nos sobrevém.

Concluindo, JÓ ESTAVA CONVICTO DE QUE A OBRA DE DEUS EM SUA VIDA SERIA PLENAMENTE CONCLUÍDA:
“Pois Ele cumprirá o que está ordenado a meu respeito…” (23.13-14). A dor e o sofrimento não são o ponto final na história de sua vida. Deus ainda não terminou a obra que Ele iniciou em você. Ele está aperfeiçoando sua vida e te preparando para coisas maiores e melhores. “tenho por certo isto mesmo, que Aquele que em vós começou boa obra, HÁ DE APERFEIÇOAR ATÉ AQUELE DIA” (Fl. 1:6).

Que seu dia seja abençoado pelo Senhor! Que você seja uma bênção!

Pr. Manoel Antonio
Pastor da Segunda Igreja Congregacional de Campina Grande-PB
Wattsapp 83 98700-0490

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