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VOCÊ JÁ SE OLHOU NO ESPELHO?

Dois objetos têm incomodado bastante a vida das pessoas em nossos dias. São objetos simples, mas que têm tirado o sono de alguns, causado transtornos e constrangimentos a outros. No passado, tais objetos inquietavam mais o universo feminino. No entanto, ambos os sexos vivem como seus reféns nos dias modernos. Refiro-me ao espelho e à balança. Para esta breve reflexão, portanto, focalizaremos apenas o impacto que o espelho causa nas pessoas e nas conseqüências de tal impacto.

Uma definição básica para espelho nos afirma que ‘trata-se de uma superfície polida que reflete a luz ou a imagem dos objetos, coisas, pessoas’.

Primeiramente, convém salientar que o espelho tem o poder de manipular o humor do homem moderno, chegando em alguns casos, a tornar as pessoas em seus reféns, psicologicamente falando. Seu uso, a princípio, é inofensivo e até necessário. Usamos o espelho em casa (em vários cômodos), no carro, alguns o levam na bolsa, no bolso. O espelho consegue atingir duas áreas específicas do ser humano: as emoções e a vontade. Por exemplo: Que sensação lhe sobrevém quando você vê sua imagem refletida no espelho? Admiração, frustração, decepção, tristeza? Ou, alegria e satisfação? Essa impressão termina mobilizando a vontade. Uns assumem o compromisso de imporem a si mesmo uma dieta rigorosa para combater os excessos. Outros decidem freqüentar uma academia ou SPA, e há aqueles que procuram clínicas especializadas em estética, para retocar o visual. Tudo isso provocado pelo espelho!

Há uma coisa muito positiva por trás da tirania do espelho. E isto nos leva à segunda consideração acerca do mesmo: a preocupação que o ser humano tem com a sua imagem pessoal. Esta imagem tanto abre portas como pode fechá-las, e pode nos fazer sentir bem consigo e diante do próximo. Por essa razão, não é exagero afirmar que a preocupação com a nossa imagem é uma questão também de satisfação que devemos dar às pessoas que nos cercam.

Diante deste fato, surge, portanto, uma pergunta que se torna crucial: Como está a imagem do homem espiritual que habita dentro de nós? Ou, colocando de outra maneira, como Deus nos vê realmente?

Diante disso, vemos em terceiro lugar que a Bíblia nos é apresentada em suas páginas como um espelho – 2º Cor. 3:18; Tg. 1.23. Sua verdade reflete o tipo de pessoa que realmente somos. Reflete com precisão os nossos defeitos. Como espelho, a luz da Palavra de Deus penetra os recônditos mais profundos de nossas almas. O brilho de suas páginas percorrem os misteriosos labirintos do interior humano, revelando as intenções, os sentimentos e as emoções mais íntimas armazenadas nos porões da existência humana. E como espelho, o que a Palavra de Deus tem a nos revelar?

Primeiramente revela o nosso interior. O salmista pediu ao Senhor que pusesse uma sonda em seu coração – Sl. 139. O homem só pode ter um conhecimento profundo de si mesmo quando seu interior é perscrutado com a lâmpada da Palavra de Deus. Por mais que tenha conhecimento da psicologia, das técnicas empregadas pela psicanálise, ou das conclusões extraídas das pesquisas feitas pela Antropologia, o coração do homem só pode ser dissecado pelo poder da Palavra de Deus.

Em segundo lugar, a Palavra também revela nossa fragilidade. Muitas vezes nos esforçamos ao máximo para mostrar às pessoas o quanto somos fortes, resistentes. Especialmente nós, líderes, temos dificuldades em admitir nossas limitações e fraquezas. Associamos fragilidade e limitações a espiritualidade. Um líder frágil não pode ser bem sucedido, ou então, não é uma pessoa espiritual, no entender de alguns. Mas o apóstolo Paulo afirmou que a grandeza do poder de Deus é depositada em vasos frágeis, de barro. E, portanto, concluiu, ‘a fim de que a excelência do poder seja de Deus e não nossa’ – 2 Co. 4.7. O salmista também expressou essa verdade ao declarar: ‘Ele conhece a nossa estrutura; lembra-se de que somos pó’ – Sl. 103.14. Por fragilidade eu entendo nossas limitações. Ser limitado não é defeito. É uma prova de nossa humanidade. Temos limitações porque somos humanos, e não porque somos pecadores. Adão possuía fragilidades e limitações antes da queda. Portanto, quando a Palavra aponta nossa fragilidade, ao mesmo tempo mostra o quanto devemos ser dependentes do auxílio do Espírito Santo, pois é Ele quem ‘nos auxilia em nossas fraquezas’ – Rm. 8:26. O neopentecostalismo tem tentado produzir um tipo de crente blindado, super herói, uma versão ‘cyborg da fé’. Crente que não sente tristeza, não pode chorar, não pode sequer ser humano. A Palavra de Deus, todavia, nos apresenta os heróis da fé como gente semelhante a nós, gente que possuía os pés de barro, que lutava contra seus temores pessoais. Eram crentes normais. Crentes que aprenderam a extrair forças de suas próprias fraquezas – Hb. 11:34.

Finalmente, como espelho, a Palavra de Deus também reflete as reais motivações contidas nas intenções do coração. Isto significa que para Deus, a obra que eu realizo ou as palavras que digo não são o bastante. Deus observa o que está por trás de nossas obras ou palavras, ou seja, Ele vê as nossas reais motivações. A bíblia nos afirma que quando as pessoas se dirigiam ao Senhor as intenções de seus corações eram desvendadas. É o caso da mulher do fluxo de sangue que tocou intencionalmente no vestido do Mestre; é o caso do jovem rico, que até camuflou seu materialismo incurável por baixo de um fraseado espiritual e religioso: “bom Mestre, que farei para herdar a vida eterna?”. Em sua fala percebe-se a princípio duas virtudes naquele jovem: pensava corretamente acerca de Cristo: “bom Mestre” e a segunda, é que ele demonstrou preocupação com sua situação espiritual. Todavia, não havia consistência nem verdade em suas palavras. Seu apego às coisas materiais eram maiores e mais importantes que a aparente espiritualidade e devoção demonstradas. O Senhor também denunciou aqueles que O honravam ‘com os lábios, mas o seu coração está longe de mim’ – Mt. 15:8. O apóstolo Paulo, da mesma forma, fez referência às pessoas que pregavam o Evangelho com motivações erradas – Fl. 1.15-17. A Palavra de Deus desvenda o que está por trás de nossas motivações, mesmo aquelas que são religiosas. Podemos até estar fazendo a obra que deve ser feita, mas com a motivação errada. E quanto a isso, foi será dura a sentença do Senhor: ‘Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitos milagres?’ – Mt. 7-22.

Concluindo, você já se olhou no espelho hoje? Você já se colocou no dia de hoje diante do espelho da Palavra de Deus? Se não, o que está esperando? Olhe-se no espelho, veja o que precisa ser mudado em seu homem interior. Permita que o Espírito Santo dê a você um ‘novo visual’.

Tenha um dia abençoado!

Pastor Manoel Antonio

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