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Quero fazer o melhor, Mas não quero ser o melhor. A Teologia do Serviço a Serviço do Senhor

“E tudo o que fizerdes,
seja em palavra, seja em obras,
fazei-o em nome do Senhor Jesus,
dando por Ele graças a Deus Pai.”
Cl. 3:17

Mais do que estar na moda a competitividade tornou-se uma necessidade em nossos dias, e não seria exagero afirmar que, em muitos casos, chega a ser uma questão de sobrevivência. Desde cedo aprendemos a competir para conquistar pequenas coisas, espaços, amizades e posições. Por exemplo, para ter a atenção dos pais, alguns filhos têm que competir com a tv e o emprego destes, enquanto que a recíproca também é verdadeira: alguns pais para terem o carinho e o contato com os filhos têm que competir com a internet, os vídeo-games e as mídias sociais. Os cônjuges, para obterem a atenção um do outro estão competindo também com a carreira profissional, as redes sociais, dentre outras coisas. E a lista parece infindável: competimos para sermos aceitos no grupo, para subirmos de posição. E nesta época, onde conseguir um bom emprego está difícil, a competitividade não tem precedentes. São cursos e mais cursos preparatórios para aquele concurso público onde a estabilidade e um bom salário é o prêmio a que uns poucos, os melhores, os mais bem preparados, os mais capazes, os mais eficientes terão direito.

Mas afinal, aonde quero chegar com tudo isto? Acredito que este espírito competitivo não é essencialmente mal em si mesmo. No entanto, quero compartilhar minha preocupação com fato de que esta competitividade, que a princípio parece ser boa e necessária, tem chegado em nossas igrejas e atingido alguns ministros e ministérios, líderes eclesiásticos e crentes em geral. A partir daí, ela deixa de ser necessária e se torna pecaminosa.

Em primeiro lugar está o fator motivação. E para nos ajudar a discernirmos um pouco melhor nossas motivações existe um pergunta que é crucial: “com que motivação você faz o que faz?” Qual a motivação que está me impulsionando a realizar esta ou aquela outra atividade em meu ministério, em minha igreja? O apóstolo Paulo afirmou que havia pessoas em seus dias pregando a Cristo por vanglória, dentre outras motivações carnais. Vejam que isto já ocorria nos dias da igreja primitiva, aquele período que tantos acreditam como sendo o mais próspero devido às manifestações “extraordinárias” do Espírito Santo naqueles dias. Hoje não é diferente. Muitos têm pregado o evangelho com motivações e ambições extremamente carnais.

Em minha época de seminário, eu e meus colegas falávamos em ganhar muitas almas para o Senhor, pela pregação, a fim de livrar o maior número possível de pessoas da condenação do inferno. Hoje, os pregadores querem ganhar não almas, mas números para seus templos a fim de alimentarem sua vaidade voraz e terem status de ‘homem de Deus bem sucedido e de muita fé’ diante da comunidade evangélica. E não estou exagerando. Apesar de não nascer num lar cristão, mas me converti aos onze anos e me lembro do apelo que alguns pregadores faziam pelo rádio e tv, de o ouvinte visitar a igreja mais próxima de sua casa. O interesse era na alma e na salvação do ouvinte. O apelo de hoje é para que o ouvinte vá apenas à igreja do pregador, porque é lá ‘onde o sobrenatural e o extraordinário’ acontecem. É na igreja deste pregador, ou porque não dizer ‘garoto propaganda da fé’ onde Deus nunca esteve tão perto! Isto é competitividade. É fazer o melhor não porque Deus seja digno do nosso esforço, mas para sermos visto como os melhores, nossas igrejas como as melhores. E o nosso ego ser malignamente massageado.

Concluindo, creio piamente que a Palavra de Deus nos apresenta uma Teologia do Serviço a Deus, em contraste com as motivações carnais encontradas em líderes e igrejas de nossos dias. O Salmo 100 nos recomenda: ‘Servi ao Senhor com alegria’.

Há uma motivação correta, santa, nobre que deve nos impulsionar no serviço ao Senhor. Fazer o melhor é procurar glorificar a Deus através do nosso serviço. Ser o melhor é chamar a atenção para si, é roubar a cena, é roubar a glória de Deus.

Fazer o melhor é pensar nos resultados eternos para o Reino. Ser o melhor é buscar vantagens e promoção pessoal para uma estéril existência carnal.

Fazer o melhor é cumprir humildemente o ministério que nos foi confiado. Ser o melhor é tocar trombeta na praça à luz dos holofotes da glória humana.

Fazer o melhor é ouvir do Senhor “bem estar, servo bom e fiel, foste fiel no pouco sobre o muito te colocarei. Entra no gozo do teu Senhor!”. Ser o melhor será também ouvir: Apartai-vos de mim, malditos, porque não vos conheço”.

Que o Senhor nos abençoe e nos guarde… e tenha misericórdia de nós!

Tenha um dia ricamente abençoado pelo Senhor!

Pr. Manoel Antonio
Segunda Igreja Congregacional
de Campina Grande

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